
“Estou a ver que tenho de te cortar o computador!”, dizia-me quase todos os dias o meu avô Jaime com aquele sorriso bom com que ele e a avó Emília me envolviam.
Mas um dia a minha avó foi-se embora. Ficou doente e apagou-se como uma luzinha muito bonita que já não tinha força para brilhar.
O avô ficou muito triste e sem falar com ninguém.
Andava pela casa de um lado para o outro sem dizer uma palavra. Mais parecia um fantasma.
Às vezes virava-se para a parede e punha-se a tocar uma música muito triste no violino.
As lágrimas caíam-lhe devagar pela cara abaixo e só dizia: “Foi-se embora a minha Princesa… A minha Princesa… O que é que vai ser de mim?”
Foi para acordar o avô daquela tristeza toda que eu o ensinei a usar o compudador r a net sem saber no sarilho em que me estava a meter.
Depois de uma data de trapalhadas o avô Jaime aprendeu tudo sobre o computador.
Desatou a enviar mails para o Presidente Obama e outras pessoas, fez uma página no Facebook e até arranjou uma namorada.
“Ela é linda e muita delicada e gosta muito de poesia. Envia-me poemas e eu envio-lhe poemas a ela. Chama-se Flor de Cerejeira!”
“Nunca conheci ninguém com esse nome, avô…”
“Flor de Cerejeira é a tradução para português. O nome em japonês é Sakura.”
“Ela é japonesa?!!!”
Fica um bocadinho da história de mais este livro que acaba mesmo mesmo de sair. Escrevi-a às vezes a chorar, outras vezes a rir à gargalhada. Gostava muito que os meus amigos gostassem dela.