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segunda-feira, 15 de março de 2010

Maria Alberta Menéres

Maria Alberta Menéres

Humor e poesia na voz: a autora ri, sorri, bem atenta aos simples detalhes do cotidiano. Assim, um tanto mais ou pouco menos, é Maria Alberta Menéres, um dos nomes mais celebrados da cena literária em Portugual. Poeta, escritora de livros para crianças e jovens, também atuou como autora e produtora de programas da Rádio e Televisão Portuguesa (RTP). Nasceu em Vila Nova de Gaia, em 25 de Agosto de 1930.

"O enquadramento da criança no contexto familiar – com especial destaque para as relações com os avós – e as possibilidades de descoberta do mundo pelos mais jovens, são temas recorrentes nos seus textos. A sua narrativa possui um estilo muito característico, conseguido através da actualização da memória de antigas oralidades, criando no leitor um envolvimento real e mágico ao longo do desenrolar das histórias." (Instituto Português do Livro e da Leitura)

Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Maria Alberta foi professora do Ensino Técnico, Preparatório e Secundário nas disciplinas de Língua Portuguesa e História. A partir de 1973, esteve na direção de vários encontros entre alunos e professores em Câmaras Municipais, Escolas Primárias, Preparatórias e Secundárias e Escolas Superiores... de Portugal.


Livros para Crianças
1968 - Conversas com versos
1969 - Figuras Figuronas
1972 - Ulisses
1974 - O Poeta faz-se aos Dez Anos
1975 - A Pedra Azul da Imaginação
1976 - Um + Um = Dois Amigos
1976 - Lengalenga do Vento
1977 - A Chave Verde ou Os Meus Irmãos
1977 - E Pronto!
1977 - Hoje há Palhaços
1979 - Semana Sim, Semana Sim
1980 - Um Peixe no Ar
1981 - O Ouriço-Cacheiro Espreitou Três Vezes
1981 - O que é que Aconteceu na Terra dos Procópios?
1983 - O Livro das Sete Cores
1984 - O Tristão Centenário
1984 - Histórias em Ponto de Contar
1985 - Dez Dedos, Dez Segredos
1985 - Aventuras da Engrácia
1985 - O Sétimo Descarrilamento ** 
1985 - O Retrato "em Escadinha"
1988 - Pintainho, Corre, Corre
1988 - À Beira do Lago dos Encantos (teatro)
1988 - Um Camaleão na Gaveta
1988 - Uma História em Quadradinhos
1988 - Histórias de Tempo Vai Tempo Vem
1988 - Histórias e Canções em Quatro Estações
1988 - Quem Faz Hoje Anos ?
1989 - A Galinha Poedeira
1989 - A Porquinha Asseada
1989 - O Coelho Comilão
1989 - O Cão Pastor
1991 - O Meu Livro de Natal
1992 - No Coração do Trevo
1993 - Uma Palmada na Testa
1993 - Pêra Perinha
1995 - A Gaveta das Histórias
1996 - Sigam a Borboleta!

Fonte: http://caracol.imaginario.com/autografos/malbertameneres/index.html

livros de Maria Alberta Menéres escritos a 4 mãos:
com António Torrado
**  com Carlos Correia

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Os contos de Grimm


Os contos de Grimm são os contos de Grimm e Alice Vieira é Alice Vieira. Quando se juntam uns e outra, só pode sair coisa boa. Foi o que aconteceu nesta edição, “para meninos valentes”, em que a autora recriou cinco histórias: “Onde Está o Medo?”, “Os Sapatos Estragados”; “São José e as Três Irmãs”; “Os Três Irmãos”; “Os Doze Corvos”; “Onde Estão os Tolos deste Mundo?”. Embora “a moral” esteja em desuso, é sabido que no tempo dos manos Grimm não seria bem assim. E talvez não faça mal pôr os miúdos a pensar no bem e no mal. A editora, no entanto, preferiu escolher outra palavra, sugerindo ao leitor: “Diverte-te a ler e a descobrir a sabedoria que cada conto tem para te dar.” A ilustradora Carla Nazareth portou-se bem. Moral da história: o livro é bom.




Contos de Grimm para Meninos Valentes
Autor Alice Vieira
Ilustrador Carla Nazareth
Editor Oficina do Livro
50 págs., 13,50 euros

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

José Jorge Letria


Dos meus três filhos, o João foi sem dúvida aquele que mais habitou, e continua a habitar, o universo da literatura infantil.

O José Jorge Letria é um dos autores, que mais li ao João, e que hoje o João mais aprecia…
A parceria José Jorge e André Letria, tem um lugar de destaque na prateleira da sua biblioteca… Numa feira do livro de Lisboa, o João conheceu o seu autor preferido e deu a autografar alguns dos livros da sua colecção… O André também lá estava e deu largas à sua criatividade, quando autografou um dos seus livros com um linda ilustração…

Nós, os pais acabamos por nos tornar grandes leitores das obras dos mais pequenos…

José Jorge Letria gosta de brincar com as palavras… é um Mestre da literatura infantil

O ano passado convidei-o a estar presente na nossa Semana da Criança. Não pode aceitar o convite mas devolveu-nos um poema que hoje coloco numa prateleira da nossa biblioteca…

Obrigado José Jorge por fazer sonhar grandes e pequenos com a magia das suas palvaras...

O QUE EU PROMETI À MINHA ESCOLA



Eu ia para a escola, caixa grande de lápis e paus de giz,
na vizinhança da casa da minha avó,
na pacatez quase aldeã do Largo das Terras
seguindo o chilreio dos pássaros,
o carreiro do afã das formigas
e o rasto esvoaçante das joaninhas,
e gostava do cheiro dos cadernos
e da elegância altiva das letras e dos números.


A minha mãe esperava-me à saída,
temendo que eu me perdesse no caminho
e que comesse figos que faziam rebentar os lábios
e tiravam o apetite para o lanche.
Nesse tempo, eu aprendia as pequenas coisas,
ínfimas coisas de que o mundo é feito,
como se coleccionasse selos ou cromos.
O meu pai ainda estava vivo e a minha avó
tratava com pachos de azeite quente
as dores agudas da minha colite precoce.
Era coisa dos nervos, havia quem dissesse.


Eu caçava borboletas e apanhava folhas de amoreira
para fazer crescer os serpenteantes bichos da seda.
Nesse tempo, no tempo azul da escola
que era vizinha da casa da minha avó,
eu não tinha medo da noite nem da morte
e a felicidade era uma fresca rosa branca
no canteiro dos meus sonhos de menino.


Onde estão agora os meninos de bibe branco
que brincavam comigo à apanhada
na hora sempre breve do recreio ?
Alguns partiram já de vez, eu sei,
para o país de sombras onde não há infância.
Outros envelheceram como eu, devagar,
engordaram, desencantaram-se, tornaram-se avós.
Outros ainda, como eu, nunca se curaram
da mágica alegria dessa idade. Que mal tem ?


Um dia fui-me embora daquela escola,
não da minha terra, mas prometi
que havia de voltar mais tarde, num dia qualquer,
nem que fosse sob a forma de livro colorido,
para poder adormecer tranquilo
na prateleira alta das mais ternas lembranças.


José Jorge Letria


Dezembro de 2003